www.futebolamadordeminas.com

Prestação de Serviços Gratuitos ao Futebol Amador de Minas Gerais

E-mail: futebolamadordeminas@yahoo.com.br

   
 

Fonte: www.supernoticia.com.br - 03/01/2011 - Reporter Tomás Magalhães

   

Gestão abusiva nos campos de várzea de Belo Horizonte

Com pouco apoio do poder público, espaços para o lazer esportivo sofrem com o abandono; locais viraram boca de fumo

Palcos para a revelação de craques do futebol mineiro, os campos de várzea de Belo Horizonte clamam por socorro. Entregues em sua maioria à administração de mandatários de clubes amadores, os espaços que deveriam ser locais de lazer e promoção esportiva estão abandonados e se tornaram reduto de usuário de drogas e até morada de desabrigados.

No campo do Tupinambás, no bairro Horto, região Leste da capital, Jorge Luís Fernandes, 54, vive há três anos no banheiro de um bar abandonado. O colchão divide o minúsculo espaço com o vaso sanitário. As pichações e o mato alto também deixam o campo ainda mais degradado. Quando chove, é impossível jogar bola. O funcionário público Márcio Antero, 55, vizinho do Tupinambás e peladeiro nos fins de semana, teme hoje pela queda de um pequeno barranco entre o campo e a sua casa.

Na mesma região, no campo da praça Brasilina, no bairro Sagrada Família, usuários de drogas costumam frequentar o espaço à noite. Bem ao lado, um contraste: enquanto uma escolinha de futebol particular está cheia de alunos, o campo de terra é pouco aproveitado.

Abuso

No bairro Rio Branco, região de Venda Nova, moradores denunciam a prática autoritária do responsável pelo campo do Manchester, o presidente do clube de futebol amador, Deraldo Costa. "Se não pagar, ele não deixa jogar", disse um morador que não quis se identificar.
A Prefeitura de Belo Horizonte reconhece o problema. "Essas pessoas utilizam os campos há muitos anos, através de contratos de comodato assinados em governos anteriores. É um espaço público, mas eles utilizam de maneira ilegal explorando financeiramente o bar, as escolinhas", destacou o gerente de equipamentos esportivos da Secretaria Municipal Adjunta de Esportes, Talismar Silva, que prometeu apurar a situação no campo do Rio Branco.

Prefeitura de BH promete investir

A Secretaria Municipal Adjunta de Esportes (Smaes) informou que a prefeitura já está levantando as condições jurídicas dos espaços esportivos e estudando diferentes modelos de gestão para cada local.

Conforme a secretaria, a meta será reformar e reestruturar 40 campos de futebol espalhados pela capital. Segundo o gerente de equipamentos esportivos da Smaes, Talismar Silva, a prefeitura está analisando os locais para apresentar um plano de obras, que deverá ser executado a partir deste ano, se estendendo até 2012.

"Vamos priorizar alguns campos, que terão toda situação legalizada", afirmou.

No caso de clubes amadores, a intenção é revisar os contratos de comodato e avaliar o trabalho de dirigentes a cada três ou cinco anos. A escolha dos campos e praças levará em consideração os programas esportivos desenvolvidos e o número de pessoas contempladas.

Para acabar com possíveis abusos administrativos nos campos de várzea, a prefeitura já começou a implantar conselhos gestores, formados por clubes e associações de bairro, além da própria secretaria e as regionais da administração.

 

                         Mesmo com taxa de aluguel, lama toma conta do campo do Manchester

 

No caso de clubes amadores, a intenção é revisar os contratos de comodato e avaliar o trabalho de dirigentes a cada três ou cinco anos. A escolha dos campos e praças levará em consideração os programas esportivos desenvolvidos e o número de pessoas contempladas.

Para acabar com possíveis abusos administrativos nos campos de várzea, a prefeitura já começou a implantar conselhos gestores, formados por clubes e associações de bairro, além da própria secretaria e as regionais da administração.

Numa conversa gravada, por telefone, em que o repórter simulou estar interessado em alugar o campo, o dirigente do Manchester confirma a cobrança do aluguel. Segundo ele, as taxas são para manutenção e despesas das equipes. A reportagem esteve no campo e comprovou uma instalação irregular de energia elétrica. A Cemig informou que não sabia do "gato" e que vai averiguar a denúncia.

Entrevista

"Não é aluguel. É uma ajuda para manter o campo"

Deraldo Costa - Presidente do Manchester

Eu estou querendo alugar o campo para jogar, como eu faço?
Lá pelas 19h, eu estou lá, você pode ir lá?

Eu já queria passar o valor para a turma. Quanto é o aluguel?
A gente cobra uma média de R$ 240. É mais pela iluminação, que vem muito cara.

Esse valor é mensal? Dá para jogar quatro vezes no mês, então?
Isso. O valor é mais para custear a iluminação, o vestiário, que suja todo, a água que gasta, essas coisas todas. É mais uma taxa de manutenção.

O campo é municipal, não é?
O campo não é da prefeitura. Quem fez o campo todo, praticamente, fui eu, que corri atrás. Tem muito dinheiro meu ali. Tem gente que liga, fala que o campo é da prefeitura. Mas isso é muito complicado, uma história muito longa. Eu te explico, mas pessoalmente.

Certo. Mas o senhor trabalha para a prefeitura?
Não, eu sou o gestor, o presidente do clube Manchester. Eu gasto todo o mês com o meu time. A prefeitura não ajuda; o governo estadual não ajuda. Eu gasto uma média de R$ 2.000 por mês com o clube.

As "peladas" de turma ajudam a custear as despesas então?
Ajudam sim. Eu estou precisando comprar dois caminhões de areia para jogar na parte de baixo, e a prefeitura não ajuda em nada. Eu pego esse dinheirinho para pagar a conta de luz, que tem que pagar e vem muito alta, uma média de R$ 600, R$ 700 por mês.